Pernambuco ganha dez novos Patrimônios Vivos e passa a ter 125 artistas e grupos agraciados; saiba quem são
Pernambuco anuncia dez novos Patrimônios Vivos Foram anunciados os dez novos Patrimônios Vivos de Pernambuco, eleitos em 2026. Segundo o governo do estado, os...
Pernambuco anuncia dez novos Patrimônios Vivos Foram anunciados os dez novos Patrimônios Vivos de Pernambuco, eleitos em 2026. Segundo o governo do estado, os homenageados recebem os diplomas nesta segunda-feira (17), em cerimônia no Cinema São Luiz, localizado no bairro da Boa Vista, no Centro do Recife. Agora, o estado passa a ter 125 Patrimônios Vivos (veja vídeo acima). Os nomes foram divulgados pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico do estado (Fundarpe). Entre os selecionados, estão instituições e personalidades com importância sociocultural em comunidades, como a Família Vitalino, Escola de Samba Preto Velho, em Olinda, e a capoeirista Mestra Di (veja lista abaixo). ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE Os artistas e as entidades agraciados são representantes de manifestações culturais, como maracatu, medicina tradicional indígena, samba e coco. Após serem nomeados, eles recebem uma bolsa vitalícia e participarão de iniciativas de ensino e aprendizagem. De acordo com a Fundarpe, as bolsas valem R$ 2.479,41 para pessoas físicas e R$ 4.958,85 para grupos. Todo ano podem ser eleitos até 10 Patrimônios Vivos. Para 2026, 205 concorrentes se inscreveram e a seleção foi feita pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural. Com quase 40 anos de dedicação à capoeira, Mestra Di, uma das homenageadas deste ano, contou que sua trajetória começou ainda criança. Atualmente, ela dá aula, principalmente para mulheres, três vezes por semana, no Espaço Luiz Di Angola, no Alto do Monte, em Olinda. "Eu sou uma cabocla de Olinda, uma cabocla pernambucana, uma mulher periférica. Muita resistência para estar na capoeira, porque é um ambiente que não é simples, não é fácil. Existe também um domínio por parte dos homens", disse. Além de artistas populares como Mestra Di, a honraria foi concedida também a entidades ligadas à vida das comunidades. Uma delas é o Terreiro de Mãe Amara Anjú Obá Meji, localizado no bairro de Dois Unidos, na Zona Norte do Recife. Hellayne Sampaio é iyakekerê do terreiro, função que auxilia a ialorixá Maria Helena Sampaio. Ela disse que sua vivência no local fez parte do seu crescimento e desenvolvimento. A filha dela também integra o terreiro, sendo a quarta geração da família a seguir a tradição. "O terreiro para mim é a minha vida. É a minha filosofia de vida. É quem comanda tudo, a minha existência. É tudo para mim. [...] Eu agradeço ao meu terreiro, ao meu axé, a Xangô Aganju, nosso pai, e a Oyá também, que é a matriarca da casa", afirmou. Terreiro de Mãe Amara, no Recife, recebe título de Patrimônio Vivo de Pernambuco Reprodução/TV Globo Confira os novos Patrimônios Vivos de Pernambuco: Teco de Agamenon Família Vitalino Mestre Zé Negão Juliana Pankararu Mestra Di Maracatu Cruzeiro do Forte Grêmio Recreativo Escola de Samba Preto do Velho Barracão de Mãe Nadja Mestre João Paulo Terreiro de Mãe Amara Teco de Agamenon Agamenon Gonçalves Lima Filho, o Teco de Agamenon, é brincante e artesão da tradição dos Caretas, uma das principais tradições de Triunfo, no Sertão do estado. Ingressou na prática ainda criança, aos 8 anos, em 1965. Aprendeu com os mais velhos a confeccionar máscaras, chapéus, chicotes e roupas e hoje se dedica a ensinar a arte a crianças e jovens no quintal de casa e em escolas e projetos. ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Família Vitalino É o grupo de descendentes diretos de Mestre Vitalino, que, por mais de seis décadas, atua no Alto do Moura, em Caruaru, no Agreste de Pernambuco. Há 54 anos mantém as atividades na casa onde o artesão vivia. Atualmente na quarta e quinta gerações, a família se dedica à arte figurativa em argila. ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Mestre Zé Negão José Manoel dos Santos, hoje com 76 anos, iniciou sua vivência na cultura popular aos 13. Sua experiência com folguedos, escolas de samba, cavalo-marinho, ciranda e coco de roda. É considerado o guardião do coco de senzala, manifestação afro-indígena com ritmo e cadência ancestral dos engenhos. ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Juliana Pankararu A indígena Juliana Maria da Silva tem 52 anos e é moradora do Território Indígena Aldeia Saco dos Barros, em Jatobá, no Sertão do estado. Atua como benzedeira, raizeira e parteira tradicional. Aprendeu o ofício por meio da oralidade com sua mãe, avó e tias, e utiliza plantas da terra onde cresceu para chás, banhos e garrafadas. ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Mestra Di Adriana Luz do Nascimento, a Mestra Di, tem 53 anos e é uma mulher afroindígena e periférica, com trajetória marcada pelo frevo e pela capoeira. Iniciou suas práticas aos 13 anos, no Centro de Capoeira Angola Mãe, sob o ensino de Mestre Sapo. Foi diplomada e reconhecida internacionalmente como Mestra de Capoeira Angola em 2016 e 2019. Em 1997, se tornou a primeira mulher brasileira a lecionar Capoeira Angola na Europa, dando aulas na Alemanha e na Itália. Capoeirista Mestra Di recebe título de Patrimônio Vivo de Pernambuco Reprodução/TV Globo ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Maracatu Cruzeiro do Forte O maracatu foi fundado em 1929 no bairro dos Torrões, na Zona Oeste do Recife. O grupo surgiu pelo convívio de trabalhadores rurais da Zona da Mata Norte e tem quase um século de atuação, sendo uma referência histórica do maracatu de baque solto no ambiente urbano. A sede atual do coletivo fica no bairro do Cordeiro, também na Zona Oeste da cidade. Sob a liderança de Maria da Conceição Silva, reúne mais de 150 componentes. ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Grêmio Recreativo Escola de Samba Preto Velho O grêmio foi fundado em 1974 por lideranças do carnaval, como o Mestre Zuza Miranda, e é sediado no Alto da Sé, no Sítio Histórico de Olinda. Com mais de 50 anos de história, é a única escola de samba em atividade contínua da cidade. O espaço também funciona para o ensino de percussão, dança, confecção artesanal de indumentárias e gestão cultural. ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Barracão de Mãe Nadja O Terreiro Kaiangu Kia Itembu (Abassá Axé Oyá Balé Omim) foi fundado em 1996 no bairro do Ibura, na Zona Sul do Recife. Funciona como um centro sagrado do Candomblé de Nação Angola de matriz Bantu e também como uma escola de formação comunitária. ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Mestre João Paulo Nascido em Vicência e radicado em Nazaré da Mata, na Zona da Mata Norte do estado, Mestre João Paulo tem mais de quatro décadas dedicadas ao maracatu de baque solto. Ficou conhecido como o "Papa do Maracatu" após o lançar seu primeiro álbum em 2002. Reconhecido como um dos maiores poetas e mestres de sua geração, é fundador, presidente e mestre do Maracatu Leão Misterioso, criado em 1990. ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Terreiro de Mãe Amara Fundado por Mãe Amara de Xangô Aganjú (Obá Meji) em 18 de junho de 1945, o terreiro funciona no bairro de Dois Unidos, na Zona Norte do Recife, com mais de 80 anos de atuação na preservação e difusão da tradição e cultura nagô em Pernambuco. Também se destaca pelo pioneirismo ao criar a primeira Rede de Mulheres de Terreiro do Brasil. ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias